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Brasil Reflexão

AS INSTITUIÇÕES E OS INSTITUTOS: MUTAÇÕES EM GÊNERO, NÚMERO E GRAU NA PANDEMIA

Por Thiago Carcará

12/12/2021 12h22 Atualizada há 1 mês
Por: Thiago Carcará
Fonte: Google Imagens
Fonte: Google Imagens

A percepção da realidade em 2020 e 2021 nos conduziu ao restabelecimento de diversos conceitos e permitiu concretizar a liquefação de algumas instituições e institutos, exigindo um processo de mutação holístico que possibilitasse a conformação e a busca contínua de sua essência e reiterada verificação.

 

A primeira premissa se finca na ideia alçada pelo autor Zygmunt Bauman introduzida em sua obra Modernidade Líquida, em que elementos sociais considerados outrora sólidos e super sólidos, sofrem processo de liquefação tornando-se líquidos e por fim gasosos, se esvaindo e se transmutando. O contexto pandêmico inseriu nesse processo o fator tempo.

 

Em 2020 e 2021 a rapidez com que processos sociais foram deflagrados afetou consideravelmente a condição das instituições e dos institutos, haja visto o “choque térmico” decorrente desse acelerado fluxo, alterando assim as conformações de tal forma que tanto o processo quanto o resultado tiveram impactos significativos.

 

Um dos exemplos mais palpáveis e cristalinos dessa ocorrência se dá na realização de eventos. Imersos no contato social, a pandemia obrigou a todos o distanciamento social e sua consequente liquefação, passando do modo presencial para o remoto, o virtual. Esse processo também elevou o número de eventos acessíveis ao público, repercutindo na volatidade de conteúdo e na reinvenção da indústria cultural.

 

Sob a perspectiva humana, a depressão decorrente da pandemia, seja pela perda de entes queridos, bem como decorrente da mudança da vida cotidiana forçada pelo COVID, aumentou em 90%, segundo dados de pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro, além de que 80% das pessoas tornarem-se mais ansiosas.

 

Tais dados demonstram como a aceleração de processos sociais, com a transformação de conceitos e a percepção de institutos e instituições, afetam diretamente a vida humana, não só no aspecto social, mas também em seu psicológico.

 

Do ponto de vista educacional, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira – INEP, divulgou pesquisa cujos alguns dados chamam a atenção. Foram em média 279 dias de suspensão de aulas, as redes sociais foram os canais mais utilizados para comunicação entre professores, alunos e a escola, apenas 31,9% das escolas municipais do país implementaram a aula remota, elevando o prejuízo a rede de ensino básico de crianças e adolescentes.

 

Os dados evidenciam que o processo educacional sofreu prejuízos que serão sentidos ao longo de décadas, pois além da adaptação rápida ao modelo remoto de aula, em que alunos e professores, além das instituições, não estavam preparados, a suspensão das aulas repercute no atraso da formação de todos os estudantes, cuja reparo não pode ser açodado, nem tampouco reinventado com soluções conteudistas e de pouco impacto na formação intelectual. Além de que, a evasão escolar sempre foi maior desafio, com a aula remota, o déficit de atenção se alinhou a esse indicador se tornando algo tão nocivo quanto a ausência do aluno em sala de aula.

 

A importância das instituições civis no país se mostrou substancial durante esse momento pandêmico. Não apenas pelo fato de acompanhamento ou fiscalização das ações governamentais, mas também no plano da execução de ações e atividades, atuando de forma paralela ao Estado, de forma unilateral ou em complementação, em claro espírito de República em que a responsabilidade do Estado é de todos.

 

Isto possibilitou um novo olhar sobre o papel das instituições, haja vista a centralização do poder voltar-se ao Estado, mostrou-se que quando o objetivo é um só, a sociedade civil organizada pode ser tanto quanto mais eficiente que o Estado, fortalecendo mais o sentimento de identidade nacional e de união da população.

 

No campo da política, afloram-se discussões antagônicas que são essenciais à democracia, pelo pluralismo inerente, o destaque maior ocorre pelo papel que as instituições públicas e civis adotaram, sendo ativas e proeminentes na defesa de seus ideais e contribuindo sobremaneira para a construção de uma esfera pública de múltipla participação, fortalecendo ainda mais a construção da cidadania no viés de deveres jurídicos.

 

Com esse novo desenho institucional, o papel da sociedade civil organizada, das instituições que as lhe representam, como a Ordem dos Advogados do Brasil, ganha mais relevo representando uma forte voz na construção do Estado Republicano e na formação de novos valores e institutos sociais que passam agora a se moldarem através desse processo social contínuo e que solidificar novos conceitos.

 

Por outro lado, a permanência da essência de conceitos e institutos outrora existentes é colocado em jogo, sendo a esfera pública o melhor ambiente para determinar a sua transformação ou sua solidificação. Processo que em regra é lento, mas com a pandemia e seu arrefecimento, são latentes as mudanças de velocidade bruscas, com sua direção, para continuidade ou alteridade, uma determinante importante para os novos rumos sociais que a nação brasileira irá se conduzir.

A realidade social que se apresente para 2022 está repleta de desafios, mas a principal conquista a ser evidenciada é a forte participação da sociedade civil na esfera pública em prol da construção de uma República forte e uma nação unida.

Octeto da Liberdade
Sobre Octeto da Liberdade
Thiago Carcará, Doutor em Direito Constitucional, Professor Adjunto da UESPI, Advogado, Consultor Jurídico, Conselheiro Federal da OAB/PI.
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