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Brasil Artigo de Opinião

Analfabetismo digital na perspectiva educacional

Alisson Martins – Professor / Pesquisador.

28/08/2020 10h40
Por: David Pacheco Fonte: redação
Analfabetismo digital na perspectiva educacional

Na ótica de Alvin Tofller, pesquisador e futurista sobre a revolução digital, os analfabetos do futuro não serão os que não sabem ler ou escrever, mas os que não sabem aprender, desaprender e reaprender. Essa noção de aprendizado a curto, médio e longo prazo incita o pensamento preditivo de que a aprendizagem significativa vislumbra, cada vez mais, o lado futurista das coisas. Assim sendo, alfabetizar, sobretudo, na atualidade, tornou-se uma perspectiva essencial pelo fato das novas vertentes educacionais exigirem adequações consideradas radicais.

Diferente de apenas dominar a leitura e ou compreende-la, em termos conceituais, o analfabetismo em discussão, escancara as dificuldades existentes entre a assimilação e a compreensão de meios tecnológicos, especificamente, os digitais. 

O termo vem ganhando força pelo fato de a sociedade encontrar-se vinculada às redes, ainda que, com conexões de baixa qualidade.

Na visão de especialistas e representantes de grandes empresas do setor de tecnologia, no Brasil, a era da acessibilidade informacional é acompanhada de uma formação que desde a educação infantil carece de uma base formativa para um acompanhamento efetivo e equilibrado de inovações. Porém, necessita-se analisar, também, as demandas de formação continuada de profissionais de educação e as diversas faces dos educadores brasileiros.

Para Castells (1999) a integração crescente entre mentes e máquinas está alterando, fundamentalmente, o modo pelo qual nascemos, vivemos, aprendemos, trabalhamos, produzimos, consumimos, sonhamos, lutamos ou morremos. Em decorrência dessas mudanças, tanto nas máquinas como no conhecimento sobre a vida e com o auxílio de tais máquinas e conhecimentos está ocorrendo "uma transformação tecnológica mais profunda: a das categorias, as quais exigem o pensamento de todos os processos”.

Em tempos de pandemia, nunca se valorizou tanto as conexões de excelência, além da inserção “forçada” de uma sociedade ainda pouco fluente do pensamento computacional. Nessa perspectiva, abre-se espaço para uma discussão apresentada em 2019 pelo relatório anual “The Inclusive Internet Index 2019”, elaborado pela revista britânica The Economist e patrocinada pelo Facebook, o qual conclui que o analfabetismo digital segura o avanço do acesso à internet no Brasil.

Outra vertente da temática em discussão, o letramento digital, detém diversos significados na literatura. Para Soares (2002) o sintagma supracitado é usado para referir-se à questão da prática de leitura e escrita possibilitada pelo computador e pela internet. Nesse sentido, o “letrado digital” consegue assimilar o que encontra em ambientes virtuais e seleciona aquilo que mais lhe chama atenção.

Em termos gerais, a combinação de modelos híbridos de ensino, o uso das redes sociais e a infinidade de possibilidades que a internet possui favorece a abertura de novos caminhos para uma inserção, ainda que, forçada do homem na era da informação em tempo real. Assim sendo, o analfabetismo e o letramento digital, além das nomenclaturas que exprimem as diversas vertentes tecnológicas contemporâneas devem ser explicitados em ações práticas que possibilitem visualizar tais assimilações nas relações humanas com a intenção de diminuir os abismos entre a sociedade e as redes de comunicação e informação.

REFERÊCIAS

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede, vol. 1. A Era da Informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1999.

SOARES, M. Novas práticas de leitura e escrita: letramento na cibercultura. Educação e Sociedade: Campinas, vol.23, n.81, p.143-160,2002.

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